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Histórico

Publicado: Quarta, 25 de Maio de 2016, 03h12 | Última atualização em Segunda, 20 de Março de 2017, 14h29 | Acessos: 3356

23º BATALHÃO DE INFANTARIA - "Batalhão Jacinto Machado de Bittencourt"    

 

     O Exmo Sr Gen Ministro de Estado dos Negócios da Guerra, em Portaria Nº 312, de 31 Dez 38, resolveu, em nome do Exmo Sr Presidente da República, de acordo com a autorização que lhe foi concedida pelo Artigo 1º e outros dispositivos do Decreto Lei Nº 934, de 23 Dez 38, dar organização ao 32º Batalhão de Caçadores (32º BC), com sede provisória em Valença-RJ, até que ficassem concluídas as instalações do quartel na cidade de Blumenau-SC.

     A 2 de abril de 1939, o 32º BC iniciou o seu deslocamento da cidade de Valença-RJ, por via férrea, até a cidade do Rio de Janeiro/RJ. Naquela cidade, embarcou com destino a cidade de Itajaí-SC, a bordo do navio Murtinho, do Loyd Brasileiro, chegando no dia 9 de Abril de 1939.

     No dia 11 de abril de 1939, partiu, via terrestre, de Itajaí com destino à cidade de Blumenau, onde chegou às 11:30h, sendo recebido com imponente festa popular e pelas autoridades locais. Na chegada a Blumenau, estava presente o Exmo Sr Gen Raimundo Sampaio, então Comandante da Região Militar, sediada em Curitiba-PR. Nesta mesma data, o Batalhão acantonou na Sociedade de Ginástica e na Sociedade dos Atiradores, hoje Tabajara Tênis Clube.

     A 2 de julho de 1939, o Batalhão iniciou a sua mudança para os pavilhões concluídos de seu novo quartel, situado no Bairro do Garcia. A partir de sua criação, como 32º Batalhão de Caçadores (32º BC), a Unidade vem cumprindo sua missão, seja na defesa da Pátria, na manutenção dos Poderes Constitucionais, na Garantia da Lei e da Ordem, bem como exercendo papel fundamental no apoio à Defesa Civil nas áreas afetadas pelas constantes enchentes e escorregamentos do Vale do Itajaí.

     O 32º BC participou de importantes acontecimentos da vida nacional, destacando-se a contribuição com contingente de 538 homens para a formação da Força Expedicionária Brasileira, sendo que 6 (seis) de seus valorosos soldados tombaram no campo de batalha, lutando em prol da liberdade dos povos democráticos. Também, em consequência da 2ª Guerra Mundial, o Batalhão cumpriu a nobre missão de segurança no litoral de Santa Catarina, com diversas frações de seu efetivo mobilizado para aquela missão.

     Em 31 de janeiro de 1949, o 32º BC foi transformado em 1º/23º Regimento de Infantaria. Posteriormente, em 25 de agosto de 1950, de acordo com a Portaria Nº 1310, de 1º Fev 1950, foi transformado de 1º/23º RI em 23º Regimento de Infantaria (23º RI).

     Em 17 de maio de 1961, devido a franca expansão da economia na região sul de Santa Catarina, a 1ª Cia Fuz do 23º RI, deu origem à 3ª Cia Fuz do 63º Batalhão de Infantaria, localizado na cidade de Tubarão-SC, a fim de aumentar a segurança desse polo industrial estratégico que se encontrava em pleno desenvolvimento. Em janeiro de 1965, o Batalhão volta a denominar-se 1º Batalhão do 23º RI.

     A 1º de janeiro de 1973, em consequência da criação do Grupamento Leste Catarinense, hoje, 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, o 1º/23º RI foi transformado em 23º Batalhão de Infantaria (23º BI), conservando a denominação até os dias atuais, cumprindo, com afinco e determinação, todas as missões que lhe são impostas.

     Nesse mesmo ano, foi criado o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), o qual recebeu, em 2013, a denominação Histórica de Núcleo 2º Tenente R/2 Anselmo José Hess em homenagem ao valoroso Tenente Hess, falecido durante uma instrução de granada de mão.

     Em 1983, o 23º Batalhão de Infantaria participou, ativamente, marcando sua história no apoio às vítimas da enchente de 1983, a qual teve a duração de 32 dias, do dia 05 de julho ao dia 05 de agosto, quando o Rio Itajaí Açu atingiu a marca de 15,34 metros no dia 09 de julho. Haja vista a inexistência, naquela época, da Defesa Civil na cidade de Blumenau, o então o Comandante do 23º BI Tenente Coronel Barreto, que já tinha sua tropa aquartelada e prevendo algo de grandes proporções, pediu que fosse transferido o Comando das atividades para as instalações do 23º BI.

     O 23º Batalhão de Infantaria, responsável pelas operações de apoio à população, realizava a ocupação de Escolas e outras entidades, onde eram colocadas as famílias que haviam perdidos suas casas ou as que haviam sido inundadas. O objetivo da presença dos militares era manter a segurança e a disciplina nos alojamentos coletivos, além de auxiliarem no atendimento médico, na confecção de alimentos, entre outros apoios.

    Equipes médicas realizaram atendimentos, enquanto militares do 23º BI realizaram patrulhas com embarcações nas áreas inundadas da cidade, evitando saques e furtos em residências. Outros militares realizaram a retirada de móveis e de pessoas de residências onde a água não havia alcançado seu nível máximo, enquanto os helicópteros decolavam e aterrissavam dentro das instalações do 23º Batalhão de Infantaria, trazendo pessoas feridas, doentes, transportando alimentos, água, roupa, cobertores e outros utensílios que chegavam nos aeroportos de Navegantes e Florianópolis.

     A ajuda humanitária era apoiada e coordenada com as comunicações do Batalhão, sendo apoiadas pelos valorosos radioamadores, os quais usavam seus rádios e faziam contato com as aeronaves e abrigos instalados por toda a cidade e pelo Vale do Itajaí.

     Em 1984, a história se repete. A enchente durou apenas alguns dias, porém o Rio Itajaí Açu atingiu a marca de 15,46 metros no dia 7 de agosto de 1984. Mais uma vez, o 23º Batalhão de Infantaria se fez presente e apoiou, com seu pessoal e material, a cidade de Blumenau e as cidades do Vale do Itajaí.

     As lições aprendidas em 1983 e 1984 serviram de regra para outras inúmeras enchentes, bem como permitiram que fosse desenvolvido um sentimento de gratidão entre a sociedade blumenauense e o 23º Batalhão de Infantaria e, por extensão, ao Exército Brasileiro.

     A gratidão e o respeito ao 23º Batalhão de Infantaria permitiu que, em 19 de abril de 1994, fosse criada a Sociedade Amigos do Batalhão (SAB/23), com a finalidade de sedimentar os laços de amizade entre os militares da ativa, da reserva e de cidadãos ligados ao Exército, por meio de reuniões e festas de caráter social, cultural, assistencial, recreativo e esportivo.

    Em 14 de Junho de 1994, foi concedida, ao 23º BI, sua designação histórica: "Batalhão Jacintho Machado de Bittencourt" e seu respectivo Estandarte, em homenagem ao ilustre catarinense Jacintho Machado de Bittencourt. Filho do Major Camilo Machado de Bittencourt, nasceu em 1808, no estado de Santa Catarina, na localidade de Nossa Senhora do Desterro, hoje, Florianópolis. Assentou como praça voluntário no 7º Batalhão de Caçadores em 5 de Abril de 1823, sendo reconhecido Cadete, de primeira classe, nesse mesmo dia.

     Desde Alferes, o Brigadeiro Jacintho Machado de Bittencourt mostrou seu elevado valor militar nas campanhas em que participou, como na Campanha da Cisplatina, na Revolução Farroupilha, Guerra da Tríplice Aliança, Batalha de Tuiuti, entre outras, onde soube dominar o inimigo como um verdadeiro líder, que guiava seus comandados pela atitude e pelo exemplo.

    Em Agosto de 1996, deslocaram-se, do 23º Batalhão de Infantaria, 110 militares para compor o Batalhão na Força de Paz da ONU, em Angola, (UNAVEM III). Os “ Lagartos Catarinenses”, os quais trabalharam arduamente para que a paz fosse mantida naquele país, realizaram atividades de apoio à campanha de vacinação da UNICEF, de desmobilização de policiais da UNITA (União Nacional para Libertação de Angola), de reconhecimentos e de suprimentos. Os bravos Soldados da Paz retornaram a Blumenau, após seu dever cumprido, em fevereiro 1997.

      Entre março e novembro de 2000, foi realizado pelo Btl, em convênio com a Secretaria da Criança e do Adolescente da Prefeitura Municipal de Blumenau, o Projeto “Braço Forte, Mão Amiga”. Tal projeto compreendeu o trabalho com 100 adolescentes, na faixa etária dos 09 aos 14 anos, contando com aulas de educação moral e cívica, educação religiosa, educação para a saúde e prática desportiva. Tais atividades foram desenvolvidas no interior do aquartelamento, sendo motivo de grande elogio pela comunidade local.

     Em 18 de Agosto de 2003, o 23º Batalhão de Infantaria sediou o encontro oitocentos Ex-combatentes da FEB, oriundos de vários estados do Brasil, sendo realizada uma formatura no Batalhão com a entrega de medalhas ofertadas pelos Ex-combatente aos Oficiais e Praças do 23º BI.  

      Em 24 de julho de 2006, realizou-se a formatura de início do ano letivo do Curso de Formação de Sargentos, sendo matriculados 128 alunos, os quais foram os pioneiros, no 23ºBI, a realizarem a 1ª Fase do Período Básico na formação do Sargento de Carreira do Exército Brasileiro. Também, foi realizada a aula inaugural pelo então Comandante do Batalhão, o Sr Ten Cel Edson Ronaldo Oliveira da Silva.

     Em novembro de 2008, todo o efetivo do 23º Batalhão de Infantaria, reforçado por outros militares do Exército Brasileiro, totalizando 1200 homens, prestaram apoio aos Órgãos de Segurança Pública no Vale do Itajaí-SC. A enchente, que atingiu a região, na madrugada dos dias 22 e 23 de novembro de 2008, deixou mais de 50 mil pessoas desabrigadas e o número de mortos chegou a 135, segundo dados da Defesa Civil.

     Os militares foram empregados em missões de resgate, distribuição de alimentos, roupas, construção de pontes e, também, na coordenação de abrigos. Para auxiliar nos trabalhos, foram deslocadas, para área de operações, 4 viaturas blindadas (M113), 6 helicópteros (3 Panteras, 2 Esquilos e 1 Cougar) e mais de 50 viaturas sobre rodas, entre elas caminhões 5 ton, Land-Rovers, Kombis e Ambulâncias.

     No início do ano de 2010, foi registrado um terremoto catastrófico no Haiti, o qual causou grandes danos em Port-au-Prince, capital haitiana e outras regiões do país. Milhares de edifícios, patrimônios, prisões, hospitais e redes elétricas foram danificados ou destruídos, bem como, mais de 80 mil corpos foram encontrados.

    Em julho de 2010, 28 militares, do 23º Batalhão de Infantaria, integraram o contingente que deslocou-se para a Missão de Paz no Haiti, juntamente com pelotões do 62º e 63º BI, além de um pelotão enviado pelo Exército do Paraguai. No Haiti, foram realizadas Ações Cívico-Sociais, como fornecimento de água, alimentos, material de higiene, cadastramento de pessoas, confecção e administração de campos de desabrigados, além da manutenção da lei e da ordem, que foram ameaçadas durante os preparativos para as eleições presidenciais naquele ano.

     De maio a agosto de 2011, o Batalhão participou da Operação Arcanjo III – Força Tarefa Anhanguera e da Força Tarefa Heróis da Lapa, onde realizou esforços para cooperar com a preservação na ordem pública nas comunidades dos Complexos da Penha e do Alemão, na guarnição do Rio de Janeiro-RJ, integrada por recursos operativos necessários (pessoal e militar), com tarefas de patrulhamento, revista e prisão em flagrante, disponibilizando, para tal operação, o efetivo de 100 militares.

    Em setembro de 2011, o 23º Batalhão de Infantaria participou de atividades em apoio à sociedade blumenauense, atingida fortemente pelas enchentes que assolaram, mais uma vez, o Vale do Itajaí.

    Em abril de 2012, o Sentinela do Vale enviou uma Companhia de Fuzileiros para o Haiti, com a missão de realizar a manutenção da paz naquele país, permitindo representar o Brasil na importante tarefa de ajudar aquele país a resgatar a capacidade administrativa e de dar as mínimas condições de dignidade ao povo haitiano.

     Em Setembro de 2013, o Batalhão empregou 237 militares para a Operação Laçador, a qual tinha por objetivo apoiar a Defesa Civil na enchente que assolou diversas cidades do Vale do Itajaí.

    O “Sentinela do Vale” realizou diversas missões necessárias à segurança da população, bem como, baseadas no Plano de Contingências do município, o estabelecimento de abrigos, transportes, resgates, entre outros.

     Em 2014, o 23º Batalhão de Infantaria, cumprindo, mais uma vez, sua missão constitucional e demonstrando sua capacidade operativa e administrativa, enviou tropa, com o efetivo de uma Cia Fuz, a fim de apoiar a segurança, na cidade de Curitiba, durante a Copa do Mundo de 2014.

     Ao final de 2014, o 23º Batalhão de Infantaria destacou o efetivo de uma companhia para compor a Força de Pacificação do Complexo da Maré, na Operação São Francisco, a fim de implantar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na região ameaçada e tomada por facções criminosas locais. A Subunidade do 23º BI cumpriu de maneira brilhante sua tarefa, sendo alvo de elogios por parte do Exmo Sr Gen Bda Richard Fernandes Nunes, Comandante da 14ª Bda Inf Mtz e Comandante da Tropa no Complexo da Maré.

    Em 2016, por ocasião dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro (Rio 2016), o 23º BI integrou, com 1 (um) Pelotão de Fuzileiros, mais pessoal de apoio, a Unidade da 14ª Bda Inf Mtz responsável pela segurança no maior evento esportivo já realizado na América do Sul. Mais uma vez, a conduta e o profissionalismo do Soldado do Sentinela do Vale foi ressaltado, positivamente, honrando as tradições do 23º Batalhão de Infantaria.

      Após a leitura do histórico do 23º BI, depreende-se que a Unidade tem cumprido, ao longo de mais de 77 anos, a missão para qual foi destinada. Além disso, vem engrandecendo o nome do Exército Brasileiro por suas participações nos mais importantes eventos militares e sociais no Brasil e no mundo, destacando-se a participação na FEB, durante a 2ª Guerra Mundial, nas missões de Paz em Angola e no Haiti, nas operações de Pacificação no Rio de janeiro e no fundamental apoio à sociedade blumenauense e do Vale do Itajaí nas catástrofes que assolaram a região durante o século XX e XXI.

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